Pegando carona no texto do Glauco publicado abaixo, faço minhas as palavras dele quanto ao interesse do povo sobre política comparado com o interesse sobre futebol. Nesse último final de semana, por exemplo, estourou um escândalo gravíssimo. Na minha opinião, o mais grave de todos até agora! Não, não foi a pipoca e o sorvete que o Ronaldo comeu no intervalo do jogo do Corinthians. Muito menos as celulites encontradas nas nádegas de Juliana Paes!
O ex-diretor de RH do Senado, Ralph Siqueira, disse que, em maio, avisou Sarney sobre os atos secretos. Sim, esses mesmos que foram descobertos agora nessa nova leva. Pois bem, a assessoria de imprensa de Sarney confirmou o fato e ainda disse que tudo isso “não traz novidade” e trata-se de assunto “sem sentido”. Eu concordaria se Sarney não tivesse dito, após o mês de maio (portanto já tendo sido avisado sobre os atos secretos), que não sabia o que era ato secreto. Em plenário!!! Ao vivo!!! Naquela sessão célebre que marcou também a frase “a crise não é minha, é do Senado”. Alguém se lembra ou vamos confirmar que brasileiro tem memória curta?

Enfim, eu juro que gostaria de entender como isso não configura quebra de decoro parlamentar. O que um político precisa fazer para ser cassado nesse país? Confessar, pelo visto, não basta. Sarney já apresentou provas suficientes contra ele mesmo. Já se enrolou e se confundiu com nomes de parentes, apadrinhados e por aí vai. Eu não sei qual prova mais é necessária para que o Conselho de Ética faça jus ao próprio nome.