Hoje, este espaço seria dedicado ao caso Lina Vieira x Dilma Rousseff. Um caso que aparentemente tinha morrido e estava quase sendo enterrado e ressurgiu das cinzas, com o pedido de demissão feito por funcionários em cargo de liderança da Receita, contando hoje com mais 60 desligamentos.
Porém, outro fato também ressurgiu das cinzas. A crise do Senado parecia caminhar para seu fim com o arquivamento de todos os processos contra Sarney pelo Conselho de Ética. A crise não só voltou à tona, como tem se desmembrado em outras instituições políticas de Brasília, atingindo inclusive o próprio Conselho de Ética, que para muitos políticos não possui mais sua função inicial.
Ontem DEM e PSDB, em uma manobra teatral, se retiraram do Conselho e levantaram a bandeira para criação de um novo Conselho de ética, suprapartidário e onde o representante não poderia ser suplente, nem responder a processos judicial criminal ou por improbidade admnistrativa. Óbvio não?! Porém, não esqueçamos que quando o PSDB e DEM eram governo utilizava do Conselho de Ética para os mesmos fins que PT e PMDB têm utilizado.
Mas, ontem um raio de luz abriu no plenário do Senado. Um homem aos seus 68 anos de idade e outros muitos de política, militância e luta pelos ideias que acredita serem bons para o país apareceu em cena. Para muitos, este senhor estava caminhando para seu ostracismo. Ouvi de outros, que nas eleições de 2014 ele não conseguiria mais uma re-eleição. Para calar os críticos, ontem, num dos discursos mais inflamados dessa grande zona que se tornou o Senado, Eduardo Suplicy (PT-SP) pediu novamente a renúncia de Sarney no Senado. Mostrou o cartão vermelho, como um legítimo árbitro de futebol e, bufando como um touro, entrou em um bate-boca com Heráclito Fortes (DEM-PI).
Muitos, acharam a cena hilariante, deram risadas da cara do pobre Senador. Mas, o que havia de engraçado na cena? O ar ofegante, quase sem ar de Suplicy e sua visível irritação, mostra a profunda revolta que um político comprovadamente ético está passando em relação à situação lamentável que se tornou a política brasileira e principalmente seu partido, que ajudou a fundar e tenta resgatar suas bandeiras ideológicas até hoje. Não sou defensor de Suplicy e mesmo nunca votei nele, mas ontem este cidadão brasileiro fez o que muitos brasileiros não conseguiram fazer até agora: se indignar perante o circo chamado Brasil.