A história é complicada e já teve vários capítulos. Como esse post pretende resumir (apesar do longo texto) tudo de uma vez só, faremos por partes.
1 – Os personagens:
Edmilson Edson dos Santos, conhecido como Edson Sombra – jornalista, teria sido o responsável por convencer seu amigo, o ex-secretário de Relações Institucionais do Distrito Federal, Durval Barbosa, a gravar todos os vídeos em que Arruda e outros políticos aparecem recebendo dinheiro no suposto escândalo do mensalão do DEM.
Edson Sombra iria prestar depoimento à Polícia Federal como principal testemunha de Durval Barbosa, mas dizia estar sendo cooptado a fazer declarações que beneficiassem Arruda. Ele seria subornado para dizer que os vídeos em que o governador aparece recebendo dinheiro teriam sido editados.
O jornalista, então, armou um esquema que, segundo ele, prova essa tentativa de suborno.
Antônio Bento da Silva – conselheiro fiscal do metrô de Brasília e também gerente comercial do jornal ‘O Distrital’, onde trabalha Edson Sombra. É quem está sendo acusado de ter levado o dinheiro do suposto esquema de suborno a Edson Sombra.
Geraldo Naves – deputado distrital (DEM), presidente da CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) da Câmara, primeira instância a analisar os pedidos de impeachment do governador Arruda, e integrante da CPI da Corrupção, criada para investigar o esquema do mensalão do DEM. Confessou que entregou um bilhete (saiba mais detalhes abaixo) a Edson Sombra.
2 – O fato:
Antônio Bento da Silva e Edson Sombra marcaram um encontro em um restaurante. A Polícia Federal já estava avisada por Edson Sombra. No encontro, Antônio Bento da Silva entrega uma sacola a Sombra. Na sacola estaria a quantia de R$ 200 mil. A oferta de suborno teria sido informada aos oficiais pelo próprio Sombra, que revelou ter recebido uma proposta de dinheiro para fornecer informações falsas durante um depoimento. Ele concordou em receber a quantia, mas armou o flagrante, junto com a PF.
Segundo os investigadores, aquela seria a primeira parcela de um total de R$ 1,2 milhão. Sombra entregou ainda um documento à PF, assinado por ele mesmo, em que declara que os vídeos foram editados. Segundo ele, esse documento foi usado como isca para dar prosseguimento à negociação. Depois de sete horas, Sombra foi liberado. Antônio Bento da Silva foi preso em flagrante por tentativa de suborno (coação de testemunha).
3 – O bilhete:
Edson Sombra entregou à polícia um bilhete que teria sido escrito a mão pelo governador José Roberto Arruda.
[Com informações do Blog do Noblat]
No bilhete, Arruda escreveu frases soltas. Algumas delas:
"Gosto dele". (Sombra entendeu que ele se referia a Durval.)
"Sei que tentou evitar". (Sombra entendeu que Arruda quis dizer que ele, Sombra, tentara impedir Durval de detonar o escândalo.)
"Preciso de ajuda. Sou grato".
No bilhete, Arruda escreveu uma sigla – GDF. E ao lado dela, assinalou: "OK ". GDF é Governo do Distrito Federal. Sombra entendeu que Arruda sugeria que ele não teria dificuldades no âmbito do governo.

4 – A origem e a explicação do bilhete:
[Com informações da Folha Online]
O deputado distrital Geraldo Naves (DEM) afirmou que o bilhete entregue pelo jornalista Edson Sombra à Policia Federal realmente foi escrito pelo governador Arruda. Mas o deputado tem uma explicação bem diferente da do denunciante. Para Geraldo Naves, não se trata de suborno.
Amigo de Arruda, Naves disse que o "recado" do governador foi escrito no início de dezembro de 2009 e seria uma sinalização de que "não estaria chateado" com o jornalista, apesar da proximidade dele com o Durval Barbosa, delator do esquema de corrupção.
Arruda teria feito o bilhete depois de o deputado ter dito que Sombra estava preocupado com um possível corte na verba publicitária de seu jornal. Segundo Naves, Arruda escreveu o bilhete para dizer que a relação dos dois não estava abalada por causa das denúncias e que não haveria corte de publicidade.
Segundo o deputado, "gosto dele" é carinho de Arruda. "Sei que tentou evitar" seria o reconhecimento de Arruda de que Sombra tentou fazer com que Durval não fizesse a denúncia. O "quero ajuda" e "sou grato" seria para que conversasse com amigos para dizer que não fosse cobrado pelas denúncias, enquanto o "GDF ok" dizia respeito à liberação de patrocínio.
5 – O que diz Arruda?
Os advogados do governador Arruda afirmaram que ele não enviou bilhete ao jornalista Edson Sombra.
"O governador não entregou papel a ninguém. Ele deixa sobre a mesa os papéis que escreve. Há uma profusão de papéis. Estes papéis são anotações, não significam bilhetes porque não têm destinatários", disse um dos advogados de Arruda.
O advogado chegou a levantar a hipótese de que Naves tenha pegado o papel na mesa de Arruda e levado para Sombra. Diante da mal feita, fracassada e incoerente tentativa de defesa do governador, Geraldo Naves ficou em situação complicada, já que os próprios advogados de Arruda o desmentiram e ainda levantaram a hipótese de que ele (Naves) fez parte da suposta fraude.
Para evitar maiores problemas, Geraldo Naves saiu da vaga de distrital que ocupava na Câmara Legislativa do Distrito Federal, antes mesmo dos defensores do governador desqualificarem sua versão sobre os fatos.
6 – O que diz Edson Sombra?
[Com informações do G1]
Já Edson Sombra disse que gostaria de ficar cara a cara com Arruda. Sombra chamou de "mentirosas" as explicações de Arruda sobre a suposta tentativa de suborno.
“Eu quero vê-lo [Arruda] frente a frente, cara a cara. Quero ver, quero que ele desminta na cara…É bom que Arruda faça várias notinhas dessas para que a cada uma, ele se enrole mais e mais das pernas…É uma vergonha, uma mentira atrás da outra. Esse sujeito tem que ser preso”, disse.
Sombra disse não ter medo de morrer. “Se eu tivesse não faria a denúncia,” disse. Ele afirmou que não pretende pedir à polícia o serviço de proteção à testemunha, como fez Durval Barbosa.
7 – O depoimento na PF:
[Com informações do G1]
No depoimento prestado nesta quinta-feira (4), o jornalista conta que foi procurado no começo de janeiro pelo deputado distrital Geraldo Naves (DEM), com o recado de Arruda: “O governador quer saber se você pode ajudá-lo pois ele tem certeza que o Durval fez tudo isso a mando do velho”. Sombra explica no depoimento que "velho" seria o termo utilizado por Naves para identificar o ex-governador Joaquim Roriz.
Segundo o depoimento de Sombra à PF, Naves teria dito ao jornalista que o governador queria que ele prestasse serviço "de forma a atrapalhar a investigação da Operação Caixa de Pandora, arranjar fitas que tivessem Valério Neves, ex-chefe de gabinete da Casa Civil do ex-governador Joaquim Roriz (PSC), recebendo dinheiro de Durval Barbosa, e fitas do próprio Roriz”.
No encontro, ocorrido na casa do próprio jornalista, Naves teria dito que, “para a operação, havia R$ 2 milhões disponíveis”. Segundo Sombra, o valor teria subido para R$ 3 milhões e depois firmado em R$ 1 milhão.
Sombra disse aos agentes da PF que “questionou se Naves falava em nome do próprio governador e pediu provas disso”. Para mostrar que negociava em nome de Arruda, no dia seguinte, Naves teria apresentado um bilhete escrito supostamente pelo governador.
8 – Os interlocutores e o sobrinho de Arruda
[Com informações do G1]
Por não ter intimidade com o deputado distrital, Sombra relata que acabou trocando de interlocutor para tratar com Arruda. “O interlocutor foi trocado, em comum acordo, pelo secretário de Comunicação do GDF, Wellington Moraes, com os mesmos objetivos trazidos por Naves”, disse à PF o jornalista. Com a entrada de Moraes na negociação, Sombra diz ter passado a falar diretamente com Arruda a partir do celular do secretário de Comunicação.
Dias depois, no entanto, Sombra conta no depoimento que foi procurado pelo conselheiro do Metrô do Distrito Federal, Antonio Bento Silva, “levando a entender que mais uma vez o interlocutor teria sido trocado”.
Em seu depoimento à PF, Antonio Bento da Silva afirma que a negociação do suposto suborno foi feita com Rodrigo Arantes, sobrinho e secretário particular de Arruda. Antonio Bento diz que se encontrou nos últimos 15 dias por cerca de seis vezes com Rodrigo e negociou o pagamento de R$ 1 milhão a Sombra em cinco parcelas de R$ 200 mil.
No depoimento, ele afirma que não chegou a tratar com Arruda e que Rodrigo foi sempre o intermediário e falaria em nome do governador. Antonio Bento diz ter recebido os R$ 200 mil com os quais foi preso nas imediações de uma churrascaria. O dinheiro foi entregue, segundo o depoimento, por um emissário de Rodrigo. Antes da entrega, ainda na quarta, Antonio Bento disse ter estado com o sobrinho do governador na residência oficial do GDF, em Águas Claras.
Bento diz ter intermediado junto a Sombra para que este desse um depoimento à PF afirmando que as denúncias sobre o mensalão do DEM eram “criadas” por Durval Barbosa.