Publicado por: Os Bananas | 08/02/2010

Obama prova do próprio veneno

Além de ser o primeiro presidente negro dos Estados Unidos, Barack Obama também pode ser considerado o primeiro presidente eleito via Internet. Isso devido à sua brilhante campanha que utilizou um dos recursos tecnológicos mais utilizados pelos norte-americanos como canal de mobilização e disseminação do nome de Obama. Relembe sua campanha:

Porém, a mesma Internet tem sido utilizada como canal viral para disseminação de ideias contrárias e ultraconservadoras contra o presidente. Tudo começou com um repórter à beira de um ataque de nervos, em cadeia nacional. O nome dele é Rick Santelli da rede CNBC. “Nós não queremos subsidiar as hipotecas dos fracassados! Quem quer pagar a hipoteca do vizinho que resolveu ter um banheiro a mais e não conseguiu pagar? Ninguém! O senhor está ouvindo, presidente Obama? Vamos fazer um “Tea Party” em Chicago!” Veja o vídeo abaixo:

O vídeo virou um sucesso na internet em alguns instantes e começou a gerar manifestações em todos os cantos do país, contra os impostos e o programa de de estímulo do governo norte-americano. Essas manifestações tomaram corpo e deram origem ao grupo denominado “Tea Party”.

Mas, o que é esse tal de ‘Tea Party”? O nome é uma homenagem aos colonos americanos que, em 1773, revoltaram-se contra os impostos cobrados pelos ingleses e passaram a jogar seu chá no porto de Boston. Esse movimento, à época, forçou os britânicos a reverem os impostos cobrados sobre os americanos e também deu origem aos movimentos de independência americana.

Agora os “Tea Parties” reúnem grupos bem distintos, mas todos unidos pela decepção e desacordo com os métodos utilizados por Obama em seu governo. Dentro deste heterogêneo grupo encontram-se ativistas anti-impostos e libertários antigoverno, fãs de Ayn Rand e Ronald Reagan, e até radicais contra imigração, cristãos extremistas e pessoas que acreditam que Obama nasceu no Quênia e por isso não pode ser presidente. Os temas pelos quais lutam contra o governo vão desde os pacotes de estímulo do governo, o déficit crescente, a reforma do sistema de saúde, o resgate de Wall Street e até os atuais ocupantes de cargos políticos.

Os participantes dessa onda crescente começaram fazendo barulho durante a aprovação da reforma no sistema de saúde, onde Obama saiu vitorioso após fazer algumas concessões. Os ativistas carregavam cartazes com fotos de Barack Obama com bigodinho de Hitler e tumultuavam essas discussões.

Mas, este ano, foram mais além e começaram a ganhar peso político. Além de realizarem sua primeira convenção nacional, com a ilustre participação de Sara Palin, ex-vice candidata de  John McCain nas últimas eleições, os milhares integrantes do “Tea Party”, tiveram sua primeira vitória política. Foi com o endosso dos “Tea Party” que o republicano Scott Brown ganhou dos democratas a vaga do Senado de Massachusetts, que pertenceu ao ídolo da esquerda Ted Kennedy, tirando assim, a maioria democrata no Legislativo norte-americano. Os “Tea Party” estão apoiando também candidatos ultraconservadores na Flórida e Kentucky.

Obama terá que trabalhar em dobro para convencer republicanos (que são maioria agora) e os amedrontados democratas que veem nessa eminente ameaça a ruína de seus projetos de reeleição, no pleito que se aproxima. Não será fácil para o super-Obama vencer aquilo que ele mesmo criou.

Veja aqui a manifestação dos “Tea Party” em Washington D.C., capital norte-americana. Repare na diversidade de cartazes e de manifestantes:


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